Bhúta shuddhi

Primeiramente vamos entender onde o bhúta shuddhi se encontra dentro da sistematização do Yôga Antiga e assim você poderá entender a importância desse recurso dentro do nosso método.

Observe a imagem abaixo:

Quadro retirado do livro Programa do Curso Básico, do Professor DeRose

 

Como a ideia hoje não é que você entenda toda essa estrutura escalonada, vamos focar em alguns detalhes que vão te ajudar no entendimento do assunto de hoje, o bhúta shuddhi.

Observando as letras miúdas, você já vai encontrar a definição deste termo sânscrito: fase de purificação intensiva. Trata-se portanto de um período curto em que você intensifica a limpeza corporal através de uma seleção alimentar mais rígida, maior observação das suas emoções e também intensificação das técnicas de limpeza. Se você já pratica as técnicas do SwáSthya Yôga, todos os dias, nas aulas completas, você faz treinamentos que limpam o seu organismo de alguma forma. O bhúta shuddhi é um momento para aumentar a intensidade dessa limpeza.

O que você pode esperar desse treinamento?

Você pode esperar que você vai ter mais energia, mais disposição, noites de sono mais reparador, aumento da consciência alimentar, aumento da sensorialidade, sentidos mais aguçados, mais percepção dos efeitos das técnicas do SwáSthya Yôga etc. Tudo isso são coisas que os próprios alunos já relataram quando participaram desse treinamento em anos passados. Também podem acontecer alterações de humor, aumento de irritabilidade, dor cabeça (especialmente pra quem tem o hábito de tomar café hehehehe), mas todos esses efeitos são passageiros, da própria limpeza, e você vai passar tranquilo por isso com o acompanhamento do seu instrutor 😉

Qual é a importância do bhúta shuddhi dentro da estrutura de evolução e autoconhecimento da nossa escola?

Pra responder isso, vamos retornar àquela imagem lá em cima. Observe a largura de casa retângulo. Quanto mais largo o retângulo, mais importante é aquela fase. Portanto, ashtánga sádhana, kundaliní e samádhi são as 3 mais importantes fases do processo e, apenas com a prática completa, é possível despertar os estados mais expandidos de consciência.

Em seguida, “bhúta shuddhi” e “maithuna”, tem uma largura média, logo, média importância também. Estes dois são aceleradores evolutivos que podem tornar o processo de autoconhecimento mais rápido, mas não são essenciais para a expansão da consciência. Ou seja, se você fizer uso dessas técnicas vai dar um boost no seu processo, mas se não usar, também não irá te prejudicar.

Por último e, nesse caso menos importante, está a turma de iniciantes que tem pouquíssima relevância para o processo de desenvolvimento pessoal, já que é apenas uma fase preparatória, um Pré-Yôga com o básico necessário para você poder acompanhar as aulas completas (ashtánga sádhana).

Todos podem fazer um bhúta shuddhi?

Sim, pode, desde que você esteja saudável. Pessoas que tenham tido qualquer tipo de virose por exemplo, devem evitar esse treinamento por um tempo considerado seguro. Na dúvida, faça isso com o acompanhamento de um bom instrutor, ok?

Bem o principal objetivo desse texto era fazer você conseguir olhar para este treinamento com mais clareza e compreender melhor do que se trata. Para finalizar, trago aqui um trecho do Professor DeRose abordando o assunto.

Espero que tenha sido esclarecedor!

Nos vamos nos próximos posts 😉

 

“É a etapa de purificação intensiva do corpo e seus canais de prána, as nádís. Na terceira parte do ády áshtánga sádhana (o anga mantra), e depois na quinta parte (o anga kriyá), ja demos os primeiros passos nessa tarefa. Trata-se agora de especializar e aprofundar a purificação, não apenas com mantras, kriyás (principalmente, jalabasti) pránáyámas, mas também com uma rígida seleção alimentar orgânica, sem sal, sem açúcar, sem laticínios, sem ovos, sem farinhas, jejuns regulares moderados e com um sistema de reeducação das emoções para que o praticante não conspurque seu corpo com os detritos tóxicos das emoções viscosas como o ódio, a inveja, o ciúme, o medo etc. Também tratamos de regular a quantidade de exercícios, de trabalho, de sono, de sexo e de alimentos. Há uma medida ideal para cada um desses fatores. Qualquer excesso ou carência pode comprometer o resultado almejado.”

“Estes e outros recursos são utilizados para deixar os canais desimpedidos, desesclerosados, a fim de que a energia possa fluir livremente quando for despertada. Caso contrário, se despertarmos a kundaliní sem termos antes liberado seu caminho pelas nádís, sua eclosão avassaladora pode romper os dutos naturais e vazar para onde não deve, causando inconvenientes à saúde. Como os praticantes ocidentais, em geral, não conhecem os procedimentos corretos, eles nutrem um justificado medo de despertar a kundaliní. O homem receio o desconhecido e esse tema, para aqueles os ocidentais, é ignorado, misterioso. Daí o misticismo de alguns. Na verdade, seguindo as regras do jogo e a orientação de um Preceptor capacitado, despertar a kundaliní é menos perigoso que atravessar a rua. Por isso, os praticantes avançados do SwáSthya Yôga não o temem e dominam perfeitamente esse processo de desenvolvimento.”

Trecho do livro Tratado de Yôga, do Professor DeRose.

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